III DOMINGO DO TEMPO COMUM

ANO C – (LC. 1, 1-4; 4, 14-21)

a) A MENSAGEM DE JESUS.

Lucas dirige suas primeiras palavras: “ilustre Teófilo”. Teófilo significa: aquele que ama a Deus. Neste personagem estão todos os cristãos do início da Igreja e nós também.

Diz o evangelho que Jesus voltou a Nazaré, cidade onde havia crescido, e, como bom judeu, vai à sinagoga. Escandaliza seus ouvintes com o seu sermão. A maioria dos presentes é da classe média, e, lá vem um carpinteiro dizendo que Isaias falava dele. Difícil de entender porque ele não estudou e fala tão bem. Mas, seus ouvintes vêem seu comportamento: levanta-se, toma o rolo, abre-o e explica.

Neste episódio distinguimos duas coisas importantes: 1) A mensagem de Cristo é uma “alegre notícia”, porque é uma mensagem de libertação. Quanta gente fala de libertação e parece que todos têm na manga da camisa um projeto infalível. A libertação proposta por Cristo é uma libertação total. Como se apregoou tanto, a libertação não se limita a resolver o problema do pão, mas a encontrar uma razão de viver. Libertar corpo e alma.

O cristão que NÃO é totalmente livre é um que perdeu a liberdade. “Libertar-se para libertar”. Libertar-se do egoísmo que é a raiz de todos os pecados. A libertação anunciada por Jesus começa em nós. Não podemos libertar os outros se estamos aprisionados pelo nosso egoísmo, pelo nosso instinto de ter e dominar. Ou somos totalmente livres ou perdemos a liberdade.

b) SER PROFETA HOJE.

Jesus foi o profeta por excelência, mas não foi aceito em sua cidade. Com sua presença na sinagoga inaugura uma nova era. Ser profeta não é fácil. Jesus enfrentou a má vontade de seus ouvintes. Hoje, quando a Igreja faz algum pronunciamento sobre a radicalidade dos ensinamentos divinos, os “instalados” não suportam suas palavras. O programa de Cristo contrasta com o programa da sociedade consumista. É mais difícil ainda ser profeta na própria terra, mas somos convocados a agir em nosso próprio ambiente.

Não podemos incentivar a luta de classes, mas não podemos também compactuar com a injustiça presente em nossa sociedade.

A mensagem de Jesus é uma mensagem de amor ao mais pobre, excluído e marginalizado. Nele encontramos a razão de nossa luta.

Por isso não precisamos ter medo de estar a serviço da verdade e da vida, testemunhando uma verdadeira conversão, ou seja: libertar da maldade, do pecado, da corrupção, do dinheiro e do egoísmo.

EXEMPLO

1) DEIXADA A BARCA

Infelizmente alguns desprezam a chamada ao sacerdócio ou à vida religiosa, influenciados pela desleal campanha de difamação que se suscitou em torno à mesma. Aconteceu o mesmo nos tempos de São Vicente Ferrer que estava convencendo um jovem a tornar-se sacerdote. A mãe gritou na cara do santo: “antes que se torne sacerdote, prefiro vê-lo morto”.
 “Minha pobre senhora – respondeu o grande pregador espanhol – teu filho já está morto”. De fato, o jovem caiu inanimado como que golpeado de morte por aquela insensata mãe.

2) E O SEGUIRAM.

Não só as vocações ao ministério sacerdotal, mas todas as chamadas à conversão se desenvolvem de um modo imprevisível. Uma voz deteve São Paulo no caminho de Damasco; uma outra voz chamou santo Agostinho no horto de Milão; “as vozes” impeliram Joana Darc a partir de Domremy.

É sempre Jesus que chama como fez com os primeiros apóstolos. Para São Francisco de Assis, o chamado foi uma doença durante sua prisão; para São Francisco de Bórgia a vista do cadáver de sua rainha; para São João Gualberto um crucifixo que inclinava a cabeça aprovando o perdão concedido ao assassino de seu irmão...

É por isso que devemos sempre estar atentos aos sinais que Deus nos manda de muitas maneiras para chamar-nos a Ele e fazer-nos pescadores de homens.

3) O CALOR HUMANO. (Teresa de Calcutá)

Um dia eu caminhava ao longo das ruas de Londres. Havia um homem agachado que olhava pela rua com ares verdadeiramente desolados. Aproximei-me dele, tomei a sua mão e perguntei como estava. Ele sentou-se e disse: “Oh, depois de tanto tempo sinto o calor de uma mão humana, depois de tanto, tanto tempo”. Sentou-se melhor. Estava feliz.

Era um ser diferente só porque uma mão humana o fazia sentir-se um ser humano, alguém que era amado. Nestes terríveis dias de sofrimento façamos jorrar a alegria do amor.