Confirmação

SACRAMENTO DA CONFIRMAÇÃO OU CRISMA

“O Sacramento da Confirmação, que imprime caráter, e pelo qual os batizados, continuando o caminho da iniciação cristã, são enriquecidos com o dom do Espírito Santo e vinculados mais perfeitamente à Igreja, fortalece‐os e mais estritamente os obriga a serem testemunhas de Cristo pela palavra e ação e a difundirem e defenderem a fé” (CDC, Cânon 879).

Confirmação:

Com o crescimento da vida cristã, acrescenta‐se ao Batismo uma comunicação especial do Espírito Santo, que se realiza mediante a oração e imposição das mãos por parte dos Apóstolos, constituindo como que uma confirmação e renovação do dom recebido, com vistas ao testemunho e ao serviço a serem prestados. “O Sacramento da Confirmação, que imprime caráter, e pelo qual somos batizados, continuando o caminho da iniciação cristã, são enriquecidos com o dom do espírito Santo e vinculados mais perfeitamente à Igreja, fortalece‐os e mais estritamente os obriga a serem testemunhas de Cristo pela palavra e ação e a difundirem e defenderem a fé” (CDC, Cânon 879). “Confirmação” porque é o sacramento em que o cristão confirma a fé recebida no Batismo e assume com maturidade os compromissos dele decorrentes.

Crisma:

Enquanto Sacramento designa o mesmo que “Confirmação”.   Quando se quer indicar o sacramento é “a” Crisma (sacramento “da” Crisma). Quando se refere ao óleo se pronuncia “o” Crisma. O termo “Crisma” é vocábulo grego que designa também “unção”, “ungido”. Daí vem a palavra Cristo, que não é um nome próprio, mas um título que significa: Messias, Ungido de Deus, Rei. “Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder” (At 10,38); “O Espírito Santo desceu sobre ele (Jesus), em forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3,22); “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Rio Jordão e, no espírito, era conduzido pelo deserto” (Lc 4,1); Jesus se revela como concretização da profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, por ele me ungiu, para anunciar a Boa Nova aos pobres...” (Lc 4,18; Is 61,1).

Iluminação Bíblica:

Jesus, que já tinha sido morto e ressuscitado, apareceu aos discípulos e prometeu‐ lhes a “força do alto” (Lc 24,49); “dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo” (At 1,5); “Recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8). O Espírito Santo prometido por Jesus chegou aos discípulos, em forma de “vento” e de “línguas de fogo”, no dia de Pentecostes (At 2,1‐4). Assim, a Confirmação ou Crisma é o Pentecostes do cristão. O livro dos Atos dos Apóstolos também nos dá testemunho desta efusão do Espírito Santo, realizada sobre aqueles que “somente haviam sido batizados” (At 8,12.14‐17; 19,1‐7).

Ser aquilo que é (Testemunho):

Assim como a pessoas se desenvolvem através do crescimento, mediante o qual se torna cada vez mais ela própria, assim também, na transição entre o Batismo e a Confirmação, o cristão é convidado a se tornar plenamente aquilo que é e a testemunhar aos outros, com firme convicção, sua condição de nova criatura em que foi transformado. Desta forma a pessoa batizada passa da consagração batismal a Deus, mediante a qual se entrega ternamente como filho ao Pai, para o exercício atuante da missão que dela decorre. Por isso que a Igreja reza com os crismandos: “Concede, Deus onipotente e misericordioso, que o Espírito Santo venha habitar em nós e nos transforme em templo da sua glória... Cumpre, ó Pai, a tua promessa manda sobre nós o Espírito Santo, para que nos transforme, perante o mundo, em testemunhas do Evangelho de Jesus Cristo nosso Senhor”.

Invocação do Espírito e Imposição das Mãos:

No Novo Testamento “o Espírito Santo era comunicado pela imposição das mãos dos apóstolos” (At 8,17s). Da mesma forma hoje, o Bispo, na Celebração da Crisma, após a homilia e em silêncio, impõe as mãos sobre os crismandos, invocando o Espírito Santo,  para que desça sobre cada um dos jovens. Significa que o Espírito de Deus descerá, protegerá e transformará as pessoas. O gesto de estender as mãos significa também que o próprio Deus coloca sua mão protetora sobre o jovem e o acompanha em seu caminho. Também expressa posse: “Você me pertence”, “Eu te resgatei”. Quem pertence a Deus é livre, não pertence a nenhum ser humano, não existe para preencher as expectativas de quem quer que seja, nenhum ser humano, nem rei, nem imperador pode decidir sobre sua vida, mas apenas Deus. Cada um recebe o dom que precisa e a força necessária para administrar sua vida e, de forma pessoal, prestar testemunho da vida neste mundo de Cristo, indicando que o Senhor toma posse dos crismandos.

Unção com Óleo:

“O Sacramento da Confirmação é conferido pela unção do crisma na fronte...” (CDC, Cânon 880), momento em que o celebrante profere o nome de quem será crismado e diz: “Recebe, por este sinal, o dom do Espírito Santo”. Como vimos anteriormente, em analogia com a unção dos profetas, sacerdotes e reis do Antigo Testamento, e com a unção definitiva de Cristo (Lc 4,18; At 4,27; 10,38; Hb
1,9), o crismando é sinal da atuação divina que vem invadir os corações e transformá‐los com vistas à missão conferida a cada um. A unção com o Crisma (1ºJo 2,20.27) é a “marca” do Espírito conferida através dela. “Marcar” é um termo bíblico: “Através deles vocês receberam a marca (o selo) do prometido Espírito Santo, quando aceitaram a fé. O Espírito é a primeira parte do legado de redenção que devemos receber, pela qual nos tornamos propriedade de Deus, louvo da sua glória” (Ef 1,13s; cf. ainda Ef 4,30 e
2Cor 1,22). O óleo do crisma também contem bálsamo (perfume), significando que o crismado, tocado com o perfume de Cristo, deve irradiar pelo mundo a bondade, o amor, a vida e a paz de Cristo.

Dons do Espírito Santo:

O Rito da Confirmação dá enlevo aos dons do Espírito Santo, em vista do testemunho que o cristão é chamado a dar em sua vida (At 1,8; Lc 12,12; Jo 15,15‐26; 16,1‐15). A unção e o recebimento do Espírito Santo remete a uma missão. Foi assim com Jesus (Lc 4,18). Na Carta aos Coríntios Paulo fala dos muitos dons do Espírito Santo. Cada pessoa tem um dom diferente. Mas aquele que nos dá de presente esses dons é sempre o mesmo Espírito (1Cor 12,8‐10). Também no Antigo Testamento, em Isaías 11,2s, são citados sete dons do “Espírito do Senhor”: o dom da sabedoria, da inteligência, do aconselhamento, do conhecimento, da fortaleza, do temor de Deus e da piedade. Sete é o número da transformação, que transforma o que é terreno em divino. Esses sete dons descrevem o ser humano que vive a partir de Deus.

Unidade Batismo‐Crisma:

Em relação à Trindade, os Sacramentos do Batismo e da Confirmação constituem duas faces da mesma doação de Deus ao ser humano. O Batismo imerge a pessoa no mais íntimo da vida trinitária; a Crisma ajuda a fazer resplandecer essa mesma vida com o fulgor de um novo comportamento fortalecido pelo Espírito Santo. Portanto, há uma unidade íntima entre os sacramentos do Batismo e da Crisma, de forma que não se pode compreender o segundo independente do primeiro. O Batismo pede a Crisma, embora por si já tenha seu significado; a Crisma exige, como pré‐requisito, o Batismo. Nos primeiros séculos, Batismo, Crisma e Eucaristia constituíam na Igreja uma profunda unidade, razão pela qual se celebrava através de um único ato os Sacramentos de Iniciação.
Em ambos atuam tanto Cristo como o Espírito que o torna presente e é derramado por ele;

  • A graça crismal é fundamentalmente a mesma do Batismo: participação no mistério pascal de Cristo que é Morte‐Ressurreição‐Ascenção‐Pentecostes.
  • Se o Batismo transforma o cristão em filho  enxertado no Filho aos olhos do Pai, a Confirmação o enriquece com um vigor novo e especial do Espírito Santo, que o torna capaz de dar testemunho de uma vida liberta do pecado e irradiar a fé que o atraiu a Deus.
  • Se o Batismo “deu forma” ao fiel segundo a imagem do Filho Jesus Cristo, tornando‐o participante do seu mistério pascal, a confirmação o torna plenamente testemunha do Senhor Jesus, ativando nele um novo comportamento em união ao Crucificado Ressuscitado.
  • Se o Batismo cumulou o fiel com os dons do Espírito Santo e o incorporou à Igreja, a Confirmação, graças a uma concessão especial do Espírito que através dela se efetua, o impele a fazer com que os carismas recebidos frutifiquem em sua vida cotidiana no mundo do trabalho, da convivência e da obediência à palavra, e o torna plenamente unido à Igreja inteira, por sua consagração e missão.